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Parasita do Coração - Dirofilariose Canina

 

 

A Dirofilariose é uma doença parasitária dos cães (podendo também afectar os gatos), provocada pelo nemátodo Dirofilaria immitis. Esta doença encontra-se disseminada pelo mundo, no entanto a incidência é significativamente maior na zona mediterrânica. Em Portugal verifica-se especialmente nas regiões do Ribatejo, Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Ilha da Madeira.

 

Como se transmite a Dirofilariose?

O parasita Dirofilaria immitis é transmitido, sob a forma de larvas, por mosquitos fêmeas da espécie Culex pipiens. Os mosquitos ingerem as microfilárias (formas larvares imaturas) ao alimentarem-se de sangue de um cão infectado. Após a transmissão das microfilárias ao cão, estas migram até às artérias pulmonares e até ao coração (região entre a veia cava, átrio e ventrículo direitos), onde se desenvolverão até ao estado adulto. No estado adulto o parasita alcança cerca de 30cm de comprimento e, após 6 a 8 meses de infecção, já poderemos encontrar microfilárias na circulação sanguínea. Assim sendo, os cães doentes são o principal reservatório de Dirofilariose, permitindo a perpetuação da doença.

 

Quais os sinais clínicos mais frequentes?

Os sinais clínicos da Dirofilariose, consequência das lesões causadas pelo parasita ao nível do coração e dos vasos sanguíneos adjacentes, dependem da severidade da infecção e da resposta do cão à infecção. Geralmente surgem vários meses após a picada do mosquito. O sinal clínico inicial é, geralmente, tosse associada a resposta pulmonar eosinofílica. Um cão activo pode desenvolver intolerância ao exercício, consequência da diminuição do "output" cardíaco. Sinais não específicos como perda de peso, febre e dispneia podem surgir numa fase mais avançada da doença. Pode ainda desenvolver-se ascite (líquido na cavidade abdominal), como resultado da insuficiência cardíaca direita. Muitos cães são assintomáticos durante vários estádios de infecção, no entanto a doença subclínica pode reduzir a qualidade de vida do seu animal de estimação. Em cerca de 10% dos cães com Dirofilariose, as microfilárias são produzidas, mas uma resposta imunitária intensa do hospedeiro elimina-as, sendo as reacções pulmonares severas acompanhadas apenas de tosse como único sinal clínico.

 

Como diagnosticar a Dirofilariose?

O diagnóstico pode ser feito de várias formas. Uma é através de um esfregaço de sangue, observado ao microscópio, para tentar detectar a presença de microfilárias. Outra forma é através da recolha de uma amostra de sangue para detectar a presença de antigénios de parasitas adultos. Este teste só deve ser efectuado cerca de 6 a 7 meses após a infecção. A radiografia torácica pode ajudar ao diagnóstico de Dirofilariose, podendo demonstrar dilatação do ventrículo direito e alterações do parênquima e artérias pulmonares. A ecocardiografia e o electrocardiograma também se apresentam como importantes exames complementares de diagnóstico.

 



 

 

 

Qual o tratamento para a Dirofilariose?

Os métodos de tratamento existentes actualmente são prolongados e implicam um acompanhamento frequente e regular por parte do Médico Veterinário. O tratamento não é livre de efeitos secundários. Estes serão mais frequentes e severos quanto maior for a infestação. Os efeitos secundários estão muitas vezes associados com os próprios medicamentos e/ou com a morte dos parasitas adultos, que pode levar à formação de tromboses. Terapia habitual: Diagnóstico pré-terapia para detectar doença sub-clínica, especialmente ao nível do rim e fígado; terapia adulticida para eliminação dos parasitas adultos; período de repouso de 4 a 6 semanas para permitir a reabilitação do animal, devido às lesões do pulmão associadas à morte dos parasitas; terapia microfilaricida, se necessária; confirmação da eliminação das microfilárias; teste de detecção de antigénios para determinar o sucesso da terapia adulticida; medicações preventivas.

 

 

Como prevenir a Dirofilariose?

Ivermectina, dietilcarbamazina e oxima milbemicina são os princípios activos de eleição, administrados por via oral, para prevenção da Dirofilariose. Para iniciar a medicação preventiva é necessário testar os cães com mais de 6 meses, devendo estes ser negativos a presença de microfilárias e parasitas adultos (teste de antigénio). Cães com menos de 6 meses devem ser novamente testados 6 meses a 1 ano após o início da terapia preventiva. A dietilcarbamazina deve ser administrada diariamente desde um mês antes do início da época de mosquitos, até dois meses após o final da época. A ivermectina e a oxima milbemicina devem ser administradas uma vez por mês, desde um mês antes da época de mosquitos, até um mês após o final da época. Em zonas temperadas (como é o caso de Portugal), recomenda-se a prevenção durante todo o ano.

 


 

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